Escrito da

MÃE TRINIDAD DE LA SANTA MADRE IGLESIA,

do dia 18 do mês de outubro 1962, titulado:

O GRANDE MOMENTO DA CONSAGRAÇÃO

Ó, se eu fosse sacerdote…! Ungido, escolhido e predestinado para ser, com Cristo, sacerdote, mediador que oferece e se oferece à Santidade Infinita, para glória dessa mesma Santidade Eterna e salvação das almas…!

Ó, se eu fosse sacerdote…! Este tem sido o sonho que, durante toda a minha vida, encheu totalmente minha alma de filha da Igreja, enamorada do Sumo e Eterno Sacerdote.

Ó, se eu tivesse tido esse grande privilégio…! Se a minha alma tivesse recebido de Deus o dom incalculável de ser sacerdote… Se eu tivesse escutado sobre mim estas palavras: «Tu és sacerdote para sempre…». Se a unção sagrada tivesse esparzido sobre meu pobre ser o seu aroma suavíssimo…

Ó…! Sonhos de mulher…! Sonhos que, elevados até o peito da Trindade, hoje me fazem gritar, como hino de desejo, diante da necessidade urgente, terrível e tremenda que experimento em mim de ser glorificação para o Infinito: ó, se eu fosse sacerdote…!

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Agora, mesmo depois de tantos anos de vida espiritual, de ter-me aprofundado no mistério da Trindade, desde ali, diante da sua contemplação excelsa, toda minha alma, na verdade terrível da Divindade, sentindo necessidade urgente de glorificar a Deus o mais pura e perfeitamente que pode, grita: Ó, se eu fosse sacerdote e te pudesse pegar entre as minhas mãos ungidas para poder-te oferecer…!

Sonhos de mulher que sonha coisas que não podem ser…!

Dar glória a Deus é como um hino perene que escapa de minha alma-Igreja. Ser toda eu uma glorificação do Infinito Amor é a necessidade mais terrível que Deus pôs no meu pobre ser.

Ó, se eu fosse sacerdote…! Se eu pudesse celebrar minha Missa…! Se me fosse dado aproximar-me do altar de Deus, e introduzir-me com minhas vestiduras sagradas no Sancta Sanctorum do mistério divino, onde a alma enamorada encontra todo o seu gozo e a sua alegria, porque nele oferece e se oferece, dando-se ao Deus Trino em entrega total, ao Santo que, em imolação incruenta, dá a Deus toda honra e glória…!

Se eu fosse sacerdote e pegasse em minhas mãos a branca hóstia que deveria consagrar para glória de Deus e de todas as almas, todo meu ser se poria nas mãos do Sacerdote Eterno, para que Ele me utilizasse segundo a sua vontade; e eu responderia ao Dom divino em dom de entrega incondicional, como vítima que necessita ser comida para a glória perene da Trindade e bem de todos os homens.

Ó…! No momento do oferecimento, da doação, toda a minha vida nas mãos do meu Eterno Sacerdote, sem medo, em entrega total à sua vontade amorosa!; todo o meu ser na patena, preparando-se para a consagração onde, unida com Cristo, seria, com Ele, Cristo que daria ao Pai toda honra e glória!

Ó momento do ofertório no qual eu diria ao Amor divino requebros de amor, sendo resposta amorosa ao seu Dom, a esse Dom que Deus, através de mim, quereria comunicar a todas as minhas almas…!

Se eu fosse sacerdote e pudesse oferecer minha hóstia ao Pai e o cálice da salvação…! Este seria o momento da entrega ao Amor Infinito, e momento também de ser recebida pelo Sacerdote Eterno: «Recebe, ó Pai Santo, esta hóstia imaculada» e este cálice, e, com ele, recebe todo o meu ser em resposta de amor ao teu Dom.

Se eu fosse sacerdote e pudesse dizer ao Amor: Recebe, ó Pai, teu sacerdote com teu Eterno e Sumo Sacerdote para que, sendo os dois uno diante do teu acatamento, elevem diante do teu altar perfumes de incenso e holocaustos aceitos que sejam, diante de Ti, um louvor da tua glória e para a tua glória…!

Ó, se eu fosse sacerdote…! Que requebros de amor para a minha Hóstia, respondendo à predileção do Eterno…! Toda a minha vida seria uma preparação para minha Missa e uma ação de graças por ela.

Como vibraria a minha alma ao aproximar-se esse Grande Momento da Consagração…!, o grande momento da minha vida…! Sim, esse seria o grande momento da minha vida sacerdotal; o Momento da Consagração, no qual a criatura, sentindo-se elevada à dignidade de sacerdote, experimenta que é o escolhido, o ungido, o confidente, e o que tem em suas mãos consagradas, por vocação divina, o poder de dar a Deus a glória máxima que no Céu e na terra pode-se dar.

Onde estão os Anjos para que dêem a Deus a glória que lhe dá o sacerdote de Cristo? Onde há criatura criada que seja elevada à dignidade terrível de fazer baixar dos Céus o Deus vivo? Quando se viu toda a corte celestial prostrada, com o rosto no chão, em espera surpreendente, adorando este momento terrível, no qual tu, sacerdote, pronuncias sobre esse pedacinho de pão as palavras de consagração e de vida que fazem ao mesmo Deus intocável correr pressuroso, diante do teu mandato, a colocar-se naquela hóstia branca para ser oferecido por ti diante da imensidade da Majestade divina?

Quando pudeste sonhar, ó homem, em ser tu, pequenino e imperfeito, cheio de misérias e ainda de pecados, quem tivesse todo o Céu esperando esse momento, esse grande momento!, no qual o seio do Pai se abra para dar-te o seu Verbo, Verbo que tu terás em tuas mãos para que o trates segundo te agrade? Homenzinho, não morres de pavor diante do teu grande momento? Deste-te conta alguma vez desta realidade da consagração?

Ai sacerdote de Cristo, pai de minh’alma e filho meu…! Se eu fosse sacerdote e pudesse ter o Verbo da Vida em minhas mãos consagradas e pudesse dizer-lhe todos meus requebros de amor, respondendo em doação de entrega ao seu Dom infinito com meu dom…! Se eu tivesse podido ter esta grande dignidade de poder levar e trazer o Deus do Céu, de lograr que, diante da minha voz imperiosa, toda a corte celestial tivesse contemplado a Majestade Infinita descendo para mim…!

Ai sacerdote de Cristo, se o meu pobre ser se tivesse visto alguma vez com essa hóstia branca em suas mãos, e tivesse podido pronunciar sobre ela as palavras que o mesmo Cristo pronunciou na noite da ceia e que tivessem feito descer a Santidade Infinita ao meu chamamento, para ser oferecida por mim ao Pai, como hino supremo de louvor infinito da sua glória…! Se eu tivesse podido ser tão Cristo como tu, que não tivesse necessitado mais que pronunciar essas divinas palavras para converter um pedacinho de pão no Verbo da Vida…!

Quem és tu para que, diante da tua voz, todos os céus se prostrem e o mesmo Deus obedeça ao teu mandato? Quem és tu e a que dignidade elevou-te o Altíssimo, que podes dizer com pleno direito: «Este é meu Corpo»? Palavras que foram postas por Deus em tua boca para que tu possas arrancar assim, do peito divino da Trindade, a segunda Pessoa e trazê-la à terra. Quando pensaste fazer tal milagre que o pão e o vinho se convertessem, diante da tua voz de homem pecador, no Corpo e no Sangue do Verbo Encarnado?

Ó…! Se eu tivesse sido sacerdote, talvez não tivesse podido celebrar mais que uma Missa. Quiçá, à minha alma pequenina e imperfeita, não lhe teria ficado lugar para mais, já que todo o meu ser teria respondido como doação de entrega ao Infinito em resposta amorosa ao seu Dom. E, diante deste Dom transcendente à tua alma de sacerdote, que resposta podes dar senão a tua mesma vida em oblação e destruição total do «eu»?

Se eu tivesse sido sacerdote, talvez só tivesse tido para mim um Grande Momento; porque, passado este, a minha alma teria atravessado os limites da Eternidade. Não sei se o meu dom tivesse podido ser menos que a destruição do meu ser que, em resposta amorosa, necessitava responder ao Infinito.

Se eu tivesse sido sacerdote e tivesse tido a Hóstia imaculada nas minhas mãos e tivesse podido levantá-la no alto para mostrá-la a meus irmãos, ó, que requebros de amor…!, que resposta…! Toda a minha alma, um beijo para beijar o Infinito diante do seu abaixamento rumo a mim! Prostrada e anonadada, como responderia em doação de entrega a este Dom terrível que incondicionalmente se dava a mim…!

Minha vida inteira de sacerdote seria um oferecimento de vítima para a Vítima Imaculada, que se punha em minhas mãos para oferecer-se ao Pai, e neste momento, o terrível momento da minha vida!, diante da minha pequenez e do grande mistério que por mim se realizava, eu seria um requebro de amor, uma doação de entrega, uma adoração incessante em resposta ao seu Dom.

Ai sacerdote…! Aproveita-te da tua Hóstia, quere-a, ama-a. Não desperdices este terrível Momento da Consagração. Dá-te ao Infinito sem medo; põe-te em suas mãos para que te utilize segundo a sua vontade; sê todo tu um sim ao Amor Eterno que tão incondicionalmente entrega-se a ti. É o grande momento da tua vida, talvez o último… Sabes se amanhã tornarás a consagrar a tua Hóstia? É o grande momento de responder ao Amor com teu dom!

Sacerdote de Cristo, neste instante terrível da Consagração, atento!, ativa a tua fé!, aviva a tua esperança!, afirma o teu amor! e contempla num grande silêncio, numa profunda adoração… que está para abrir-se de um momento a outro o seio da Trindade imutável que, em atividade infinita, se é três divinas Pessoas! E neste mesmo instante o Pai está, num recato indizível de Virgindade eterna, dando à luz o eterno Oriens. […]

Silêncio…! Silêncio…! Silêncio…! Que está gerando o Pai a sua divina Palavra para dá-la a ti, sacerdote de Cristo…!

Silêncio…! Contempla como, neste instante, o seio do Pai abre-se num gerar eterno de amor infinito, e nesse mesmo instante sublime de virgindade intocável e de santidade eterna, o Pai está gerando seu Verbo para ti…!, para ti…! É a resposta do Pai à tua palavra de sacerdote, ungido para ser diante d’Ele mediador entre o Céu e a terra.

Ó palavras terríveis as do sacerdote…! Sacerdote de Cristo, no momento que tu pronuncias as palavras da consagração, o seio do Pai abre-se gerando para ti seu Verbo e o dá a ti no amor do Espírito Santo. Toda a Trindade está inclinada para ti, e diante da tua palavra, o Pai responde com a sua Palavra Infinita ao teu chamamento, e como dom, te dá o seu Verbo, no amor eterno do Espírito Santo! […]

Silêncio…! Adoração…!

Estão as três divinas Pessoas inclinadas sobre ti…!

Ó […] o Momento terrível da Consagração…!; esse instante-instante de respeito indizível…, de majestade soberana…, de adoração profunda…, no qual toda a Trindade está inclinada sobre o sacerdote pequeno para dar-lhe o seu Dom.

O Pai lhe dá seu Verbo. O Espírito Santo entrega-o a ele em união com o Pai, como doação de amor. O Verbo, pressuroso e contente, se faz Pão…

Ó sacerdote do Novo Testamento…! Toda a Trindade infinita acode à tua palavra e inclina-se favorável para ti para dar-se a ti. Mas toda a Trindade, em atitude amorosa, pede a tua resposta a este grande momento do seu Dom! […]

Estou vendo a Trindade em sua majestade soberana inclinada sobre o sacerdote, e a este, tão pequenino diante da majestade imensa da terribilidade de Deus…! Ao vê-lo tão inconsciente, sinto compaixão dele e uma grande necessidade de ajudá-lo.

Ai, sacerdote de Cristo, pequenino diante do grande mistério da Trindade…!

Ai, sacerdote de Cristo, como te vejo…! Mas, que pequenino és diante deste grande mistério da Santa Missa…!

Ai, sacerdote de Cristo…! Pobrezinho! Que pequenino diante da terribilidade terrível da Trindade, apesar de ser tão excelsa a tua dignidade…!

Ai…! Pobrezinho sacerdote, filho meu e pai da minha alma…! Mas, que pequenino diante da terribilidade terrível do ser-se do Ser, que se dá a ti em Dom e te pede a tua resposta…!

Pobrezinho…! Como te vejo diante da contemplação do Intocável, que, na esplendidez de sua majestade eterna, desde as alturas, espera a tua palavra para abaixar-se, no milagre mais surpreendente que a mente do homem pudesse vislumbrar…!

Vejo-te tão pequenino… e clamando com voz potente pela força que a unção sagrada deu à tua palavra, capaz de abrir o Sancta Sanctorum da Trindade, descortinando o véu do Templo para pedir-lhe que pronuncie a sua Palavra para ti, realizando-se, por esta palavra tua, como um novo mistério da Encarnação…!

O que és tu, homenzinho…? Ai, sacerdote de Cristo…! Ai…! Ai meu filho! Pobrezinho…!

Estou chorando anonadada, de respeito, de amor e pavor diante desta realidade terrível que minha alma contempla.

Ai, se eu fosse sacerdote…! Neste momento morreria…! Ainda não sei se, por vê-lo, poderei viver.

Ai, sacerdote de Cristo, pobrezinho…! Responde como possas ao Amor…!

Ai, sacerdote de Cristo!, responde…!, responde à Trindade que se dá a ti em Dom, como saibas, como possas!

Que pequeno és diante da terribilidade terrível do Momento da Consagração…! […]

Ai, o Santo Padre…! Com ser o Santo Padre, João XXIII, ai, que pequeno diante do Momento terrível da Consagração…!

Ai, filho meu!, responde…!, responde…! Responde à Trindade que se dá a ti em Dom, como possas! Adora, ama, prostra-te com o rosto no chão… […]

A adorável Trindade, inclinada sobre o sacerdote do Novo Testamento no Momento da Consagração…! E que terrível…!, que terrível…!

Vou morrer de amor e de dor… A minha alma só pode chorar em silêncio.

Obrigada, Amor…!, obrigada, Amor…!, obrigada, Amor, porque não me fizestes sacerdote…!

Agora compreendo porque não me fizeste sacerdote! Agora compreendo…!

Não tenho graça para ser sacerdote. Por isso sinto que morro diante da terribilidade do Grande Momento da Consagração.

Ai…! Obrigada, Amor, obrigada…! Obrigada porque não me fizeste sacerdote! Que bem compreendo São Francisco de Assis…!

O Deus terrível, de Majestade soberana, inclinado… inclinado…!

Toda a Majestade infinita do Ser, inclinada sobre o sacerdote…! Não prostrada, não!, inclinada… Não em adoração, não!, em derramamento sobre ele…

Toda a Trindade esperando, sacerdote de Cristo, pequenino, a tua grande palavra para vir a ti…!

Toda a Trindade esperando que tu pronuncies a tua palavra para derramar-se sobre ti no Verbo. Esperando para fazer-se, o Verbo da Vida, Pão…!

Toda a Trindade, diante do teu mandato, pressurosa, obedece…!

Ai, sacerdote, sacerdote…! O que te fez Deus ao ungir-te sacerdote…? Já sei que não o pensaste muito no dia da tua ordenação.

Mas agora eu te digo: olha que és sacerdote de Cristo…! Filho meu, sê pequeno. Pelo amor de Deus!, sê pequeno para que, diante da tua pequenez, o Amor Infinito se compraza.

Vejo-te tão pequeno…, tão nada…!, e és tão sublime diante do acatamento da Trindade…!

Responde como possas, joga-te no chão, adora, chora, morre, se não sabes como responder!

Que terrível é ser sacerdote…! Pobrezinho…!

Responde, filho meu, sendo pequeno. Joga-te nos braços da Santidade Infinita, adora-a. Beija esse ponto do gerar divino, que todas as manhãs se abre para ti na consagração.

És tu, sacerdote de Cristo, o chamado por vocação divina a entrar neste Sancta Sanctorum da Trindade. És tu que tens que colocar-te dentro do seio da Trindade e beijar esse instante-instante de gerar o Pai o seu Verbo para ti, beijando com o Espírito Santo esse mesmo Verbo que sai pressuroso diante da tua palavra.

Vamos, sacerdote de Cristo; diante da terribilidade terrível de este grande mistério, joga-te nos braços de teu Pai Deus, e, cheio de confiança, espera, confia no amor infinito que a Trindade tem por ti.

Deus não te fez sacerdote para condenar-te, não; mas para que o glorificasses e para salvar as almas por meio de ti.

Tens nas tuas mãos o Deus terrível de majestade soberana, e tens em tuas mãos a salvação do gênero humano.

Olha, escuta o que te digo: Se, diante da tua voz, o Pai abre seu seio e te dá seu Verbo no amor do Espírito Santo, e as três divinas Pessoas em conjunto entregam-se incondicionalmente a ti, haverá algo que tu lhe peças que não te seja concedido?

Se tu exerces teu sacerdócio fazendo-te pequeno, e o mesmo Deus se dá a ti assim, terá algo superior a Ele mesmo que não te possa dar?

Se não consegues de Deus tudo o que lhe pedes, será porque não o pedes, ou porque a tua palavra não é tão eficaz como a da consagração. Se a tua oração não é escutada, não é porque Deus não responda à tua palavra, mas porque a tua palavra não é segundo Deus.

Já sei que a palavra da consagração é distinta da tua palavra. Diante daquela o mesmo Deus obedece. Mas, se Deus quis pôr esta eficácia na tua palavra de consagração, se tu és segundo a sua vontade, não poderia ser a tua oração mais eficaz e a tua petição mais certeira…? Não vês que ao dizer tu: «Este é meu Corpo», «Este é meu Sangue», toda a Trindade se dá a ti? Por que não te fazes tão Jesus, que sempre que tu mandes o Céu obedeça?

Se assim fosse, tu que lês isto, sacerdote de Cristo, tu só, não serias com Cristo salvação do gênero humano? Se em verdade podes dizer: «Este é meu Corpo», «Este é meu Sangue», o que haverá que tu não possas dizer, sacerdote de Cristo?

Ó, agora compreendo porque eu não posso ser sacerdote! Talvez se eu tivesse sido sacerdote, no Momento da Consagração, ao receber esta luz que hoje tive, teria morto. Por isso, talvez, Deus não me fez sacerdote.

Encontro em mim uma terrível impossibilidade, depois de conhecer o grande mistério da consagração, para ser sacerdote. Por isso já não posso dizer-te: Se eu fosse sacerdote…! Porque vejo que, desde hoje, há em mim uma impossibilidade proporcionada pelo conhecimento terrível da dignidade do sacerdote. Mas a ti, sacerdote de Cristo, filho de minha alma-Igreja, eu, com Maria Imaculada, a Mãe dos sacerdotes, te digo: Vive teu sacerdócio, atua-te em teu Grande Momento, dá graças por este privilégio inexprimível, inexplicável, incompreensível e inimaginável do sacerdócio.

Sacerdote de Cristo, vejo-te tão pequeno diante da Trindade…! E eu te venero, e te peço que implores por mim diante da mesma Trindade. Tão forte foi o conhecimento que tive hoje, que já na minha oração de filha pequenina da Igreja sempre irei pondo a tua alma de sacerdote diante para que o Pai me dê a divina Palavra. És tu, meu pequeno sacerdote, quem tem que dar-me a mim o Verbo da Vida.

Ai, sacerdote, sacerdote…!, procura ser pequeno para apresentar-te diante do Pai, agarrado, apoiado e fundido com o Eterno Sacerdote. E assim, confiado, diz a tua palavra de consagração e responde ao Dom que se é Deus para a tua alma nesse instante; responde incondicionalmente, dá-te sem reservas. Vamos, em silêncio, adora, diz-lhe sim e dá-te a Ele tu também como hóstia com a tua Hóstia, para que se obre em ti na maneira de uma transubstanciação, e sejas Cristo para glória de Deus e salvação das almas.

Sacerdote… Mediador… Estás no Grande Momento de tua vida! Estás entre o Céu e a terra transubstanciando a tua hóstia! Exerce o teu sacerdócio…! Sê ponte propícia entre Deus e os homens! E que a tua oração seja tão grata, tão aceita diante de Deus, que não exista graça, nem dom, nem desejo que, diante de ti, fique sem cumprir-se.

Que sejas tu pelo teu sacerdócio quem apanhes o Amor divino e quem te apresentes a Ele em nome de todos teus irmãos para que, por meio de ti, todos recebam a salvação que por ti Deus quer comunicar, através deste Grande Momento, a todos os homens.

Olha, sacerdote de Cristo, como já te disse: com a tua palavra o seio do Pai abre-se diante da surpresa também de todos os Bem-aventurados, e Deus se faz Pão. E tu, o que dizes?, o que respondes a esta doação do Amor ao teu mandato? O que lhe entregas tu ao Dom infinito que é Deus diante de ti? Como correspondes a este Dom que é dado a ti tão incondicionalmente? Qual é o teu dom diante do Dom de Deus feito Homem, de Deus feito Pão pela tua palavra? Que palavra és tu para Ele? O que lhe dizes? Como te dás?

Ai, sacerdote de Cristo, se eu tivesse sido sacerdote e em algum momento tivesse podido viver este Grande Momento que tu agora vives…! Já sei que não há dom para tal dom; mas olha que resposta tem a Trindade à tua palavra… Como respondes tu à sua quando te pede toda a tua alma em dom para seu Dom?

Talvez algum dia pudeste fazer algo rotineiro deste Grande Momento. E, não choras toda a tua vida? Crês que é um momento mais que já passou? Não sabes que cada um dos momentos da tua Missa, e em particular este da consagração, serão os que se apresentem diante de ti no dia do Juízo?

Já sei que, se eu tivesse sido sacerdote, teria feito como tu talvez, e ainda pior. Mas quiçá por não ter essa grande sorte, nem ter recebido esta graça imensa, aprecio mais este dom do sacerdócio que o Amor tão gratuitamente deu à tua alma.

Mas, olha, ainda que te vejas pequeno e sintas medo, ainda que não saibas como fazer com a tua Hóstia, nem como responder a tão grande Dom, ainda que só desejos de chorar sintas diante do meu canto a este Grande Momento, não desconfies, porque dos pequenos é o Reino dos Céus. Joga-te nos braços do Amor, já que, ainda que tenhas a grande dignidade de ser sacerdote, és criatura e pequeno.

Por isso, confia no amor do Bom que te fez sacerdote, não para condenar-te, mas para confiar-te o seu segredo, para que fosses Ele por transformação, para que te jogasses em seus braços e, diante do grande mistério desta predileção para com a tua alma e a impotência de corresponder a tão grande presente, te jogasses como o pequenino no regaço de seu pai, e ali chorasses de agradecimento e amor, pela graça incompreensível do teu Sacerdócio, e pudesses aproximar-te do altar de Deus com gozo e alegria, oferecendo-te e oferecendo no Per Ipsum à Santidade Infinita; e apoiado nessa mesma Santidade, dês a Deus, «por Ele, com Ele e n’Ele», «toda honra e toda glória».

Se és pequeno, não tens que ter medo. E se és grandalhão, urge que te faças pequeno, já que se és inconsciente do grande momento da tua Missa, ao ser pequeno, corresponde a teu Pai Deus cuidar de ti e preparar-te para esse grande momento.

Mas se és sacerdote e nem sequer és pequeno, e chegas ao altar de Deus inconsciente, sem preparar-te, depois de tantas missas!, o que farás no dia do Juízo? Porque os pequenos os julgarão no amor; mas se a ti têm que te julgar por tuas ações…

Procura ser pequeno, e se isto consegues, não te preocupes mais, já que os pequenos confiam tudo no amor de seus pais.

Passou o Grande Momento da Consagração e, com ele, o grande momento da tua vida. Mas ainda ficam para ti, dento da Missa, outros grandes momentos que tu tens que pôr em obra.

Também aqui sinto verdadeira inveja! Já sabes tu, sacerdote de Cristo, filho meu e pai da minha alma, que a minha única alegria consiste em dar glória a Deus. Por isso, me deixas que, contigo, unida à tua Missa, eu, no teu Per Ipsum, dê glória ao Pai, glória ao Filho e glória ao Espírito Santo? Pois, ainda que não posso ser sacerdote, Deus fez-me virgem sacerdotal, mãe-Igreja, e necessito, com todas as minhas almas filhas, dar a Deus toda honra e glória, unida a ti, sacerdote de Cristo.

É o momento do cântico glorioso da Missa, é o momento de dar glória a Deus; e tu, «por Ele, com Ele e n’Ele», lhe dás toda honra e glória.

Deixa-me que, unida contigo, eu também lhe dê a meu Deus toda honra e glória. Já sei que na minha Missa eu o faço; mas, depois de ter conhecido a dignidade terrível do teu sacerdócio, necessito celebrar minha Missa amparada por ti e unida a ti. E ao ver-me tão pequena e com esta necessidade tão terrível, tão urgente e tão quase infinita de dar glória aos meus Três, eu imploro teu favor para encher esta necessidade que anega a minha alma.

É agora quando podes dar a Deus a glória que Ele espera da tua alma de sacerdote, como respondes?

É necessário que tu te alegres na glória infinita do Amador Eterno, respondendo ao seu Dom com a tua alegria diante do seu gozo. Goza em que Ele é feliz, alegra-te em que Ele é ditoso, e então toda a tua alma, como num júbilo de triunfo, romperá com o Sacerdote Eterno, «por Ele, com Ele e n’Ele», dando a Deus toda honra, louvor e glória.

É o momento de corresponder ao Amor dando-lhe glória pela sua imensa Majestade. Diz-lhe agora o que talvez no Momento da Consagração, por ser tão terrível instante, não soubeste. Diz-lhe como todo tu queres ser um louvor da sua glória, uma resposta a seu Dom.

Vive este instante da glorificação de Deus com a máxima intensidade que possas, gozando em que Deus seja Deus. Esquece-te de ti e alegra-te com os Bem-aventurados no contento de Deus, dando-lhe toda honra e glória em agradecimento de que Ele seja quem é. Faz um ato de amor puro que goza por ser Deus quem é. Ama-o por Ele, n’Ele, sem ti, para que Ele seja glorificado. Não deixes passar este momento sem dar a Deus a glória que Ele de ti esperava desde toda a Eternidade, e permite-me que eu me associe a ti, para desafogar esta necessidade imensa que me abrasa de dar glória a Deus.

E assim, com a alma anonadada e cheia de agradecimento e de júbilo, entoa o Pai-nosso, preparando-te para o terrível instante da consumação do Sacrifício.

Invoca o Pai que está nos céus, com todo o amor da tua alma sendo pequeno; pede perdão de todas as tuas misérias e perdoa a quantos te ofenderam. E assim, ardendo no amor divino, sob a tua indignidade, recebe esse Pão de Vida que desde toda a Eternidade, amando-te com predileção infinita, escolheu-te para que tu mesmo pudesses comer a Hóstia que, como sacerdote, consagraras.

O Verbo da Vida palpita em necessidade terrível de entrar em ti, de introduzir-se em tua alma. E tu, estás inconsciente e inativo…? Olha que é o Verbo da Vida, Aquele que tu tiraste do seio da Trindade no Grande Momento da Consagração, quem está esperando para que tu o comas e assim seja consumado o Sacrifício do Altar, reprodução viva daquele Sacrifício cruento da cruz!

A Missa vai terminar e Deus está esperando também agora. Está pendente de que tu comas a tua Hóstia para consumar o Sacrifício! És tu, sacerdote do Novo Testamento, quem deste começo a este grande ato, e quem tens que coroá-lo.

Em verdade podes dizer com Cristo: «Está consumado». «Realizei a obra que me deste para fazer». Agora, Pai Eterno, se queres, podes levar-me a Ti. «Em tuas mãos entrego o meu espírito». Dispõe do teu servo segundo a tua vontade, e diante da minha indignidade, anonadado e prostrado pela tua infinita excelsitude, adoro e te peço que tenhas piedade da minha miséria, e que, apoiado em teu seio, me leves a Ti quando te agrade recolher a alma do teu servo. Com a minha Missa «tudo está consumado».

Por isso, cada dia, ao comungar, põe teu espírito nas mãos de Deus, já que a Vítima Imaculada foi imolada por ti e tu deves ser consumado n’Ele e por Ele.

Agora, sacerdote de Cristo, como tens que responder ao Amor? O que tens que dizer à Vítima Infinita que em teu peito se oculta? Como tem que ser a tua resposta na terminação do Sacrifício?

Creio-me demasiado pequena para dizer-te o que tens que fazer. Depois de tudo o expressado, minha alma está em expectação, venerando-te, em ação de graças. E ao venerar-te a ti, minha veneração é dupla, porque em ti e através de ti, por ti, por ser tu sacerdote, eu posso adorar ao Deus feito Homem, ao Deus feito Pão, na tua alma.

Dá-te incondicionalmente ao Amor, ama-o como nunca o amaste. Seja a tua Missa cada dia o princípio e o final da tua vida. Não faças rotina deste terrível Momento que o Imenso te presenteia cada dia para sua glorificação, santificação tua e de todas as almas.

Mas, vamos, sacerdote de Cristo, com a tua Hóstia dentro de ti, prepara a Hóstia que para mim consagraste; que eu também quero consumar meu sacrifício comendo a minha Vítima. E, ainda que tenhas vontade de dizer muitas coisas ao Amor, pensa que minha alma enamorada espera que tu me dês esse Pão de Vida. Eu também celebrei contigo a minha Missa, já que, por ser tão pequena, não pude ter a dignidade de ser sacerdote. Eu também sou mãe sacerdotal que espero, como Maria no Cenáculo, a comunhão das mãos dos Apóstolos.

Toda a Missa foi para ti num colóquio de amor. Primeiro de entrega, depois de mistério e doação por parte de Deus e tua alma; deste a Deus a glória que a tua alma necessitava, e, por fim, comeste a tua Hóstia. E agora vamos, não tardes, dá-me a minha, a que tu consagraste para mim por seres sacerdote!, essa Hóstia que foi transubstanciada para que eu, por meio de ti, pudesse também comungar Deus. Vamos, não tardes, dá-me a minha Hóstia com todo o cuidado, respeito e amor que Deus exige de ti ao reparti-la.

Já vês que tu és quem mandas…! Vamos ver o que fazes com a tua Hóstia e com a minha…! Eu necessito comer Deus para consumar meu sacrifício, e estou esperando que a tua mão de pai e pastor o deposite na minha boca. És tu quem me dá a Vida divina em minha Hóstia, quem me faz feliz.

Ai, sacerdote do Novo Testamento! Se tivesse caído sobre mim a graça de ser sacerdote, neste dia de hoje, como teria celebrado a minha Missa…!

Talvez uma só tivesse podido celebrar na minha vida, diante do conhecimento terrível que tive do Grande Mistério da Consagração.

Por isso te peço que escutes este pobre canto que esta indigna filha da Igreja entoa à tua alma: responde ao Amor com teu dom total. Não te olhes. Procura viver de Cristo, e ser pequeno para que te julguem no amor.

Mãe Trinidad de la Santa Madre Iglesia

Tema extraído do opúsculo n. 6 da Coleção: “Luz na noite. O mistério da Fé dado em sabedoria amorosa”.

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